Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II

quarta-feira, 5 de maio de 2010

RUAS, IGREJAS E MONUMENTOS DO RIO DE JANEIRO - Rua Conde de Bonfim #inforio

   HISTÓRIA

O desenvolvimento do Engenho Velho veio a partir do Caminho do Engenho Velho, hoje Rua Haddock Lobo, que tinha início no Largo do Estácio e se projetou na direção do Andaraí Pequeno, através do Caminho do Andaraí Pequeno, atual Rua Conde de Bonfim. O nome da Rua Conde de Bonfim foi dado em homenagem a uma das figuras mais ilustres da região na época do Império: o negociante José Francisco de Mesquita, que foi Conde e depois Marquês de Bonfim (1790-1873) e era pai do Barão de Mesquita, Jerônimo José de Mesquita.
Somente a partir de 1870 a Tijuca foi considerada Zona Urbana da cidade. Até esta época a região era caracterizada por imensas propriedades, das quais citaremos algumas:
  • A Chácara do Andaraí - que se estendia do Largo da Segunda Feira até a Rua José Higino;
  • As Chácaras do Trapicheiro - que pertenciam ao Barão de Itacuruçá, genro e herdeiro do Barão de Mesquita e que iam do atual Colégio Batista localizado na Rua José Higino, que era sua sede, e se estendia até quase a Muda, beirando a Serra da Carioca;
  • A Chácara do Portão Vermelho - que pertencia a Antonio Basílio seguia pela Rua Pinto Figueiredo até a Rua José Higino;
  • A propriedade de Militão Máximo de Souza, fazia fronteira com a Chácara do Portão Vermelho e se estendia até a Usina.
Em 1873 a família Azevedo, proprietária de terras na Muda, que tinha este nome devido ao fato de no local serem "mudados" os burros que arrastavam os bondes e deveriam a partir dali começar a subir a serra, abriu em suas terras as ruas: São Miguel; Santa Carolina e São Rafael. Em 1880, na Chácara do Aragão, que tinha frente para a Rua São Francisco Xavier e ia até a Rua Conde de Bonfim, foram abertas as ruas: Pereira de Siqueira e a Barão do Amazonas, atual Marquês de Valença.
A Rua Aguiar, no Largo da Segunda-Feira, foi aberta nas terras do Comendador Sebastião da Costa Aguiar, proprietário da Chácara do Vintém, onde ficava localizada a Fonte do Vintém, que fornecia água que era vendida em copos aos transeuntes e em barris de madeira até 1900 e segundo Machado de Assis era a água preferida dos cariocas. Em 1889, as Ruas Visconde de Figueiredo e Conselheiro Zenha foram abertas pelo Barão de Mesquita que adquiriu terras da antiga residência do Duque de Caxias. Em 1911, João Vitório Pareto, proprietário de terras e prédios nas Ruas Conde de Bonfim e Barão de Mesquita abriu as Ruas Pareto e Santa Sofia e a Praça Hilda, construindo casas de aluguel para as classes pobres. Também em 1911, foi inaugurada a Praça Saens Pena.
Em 1912, Elisa Jerônimo Mesquita, pertencente à família do Barão de Mesquita e proprietária de terras na Rua Major Ávila, solicitou ao Prefeito licença para abrir uma rua ao lado da Igreja de Santo Afonso, surgindo assim a Rua Santo Afonso. O Barão de Itacuruçá, abriu em terras da Chácara do Trapicheiro as ruas: Andrade Neves; Homem de Melo e Visconde de Cabo Frio, além da Praça Barão de Corumbá e também prolongou a Rua Uruguai da Rua Conde de Bonfim até o seu final.
A abertura de ruas e a construção de moradias transformaram completamente a paisagem da Tijuca, que no início do Século XX se consolidou como Bairro. Por volta de 1920, as Ruas Conde e Bonfim e Haddock Lobo foram ocupadas por mansões e palacetes de grandes personalidades da República e nesta época a Tijuca apresentava o maior número de escolas do Distrito Federal, que se destacavam não apenas pelo número mas também pela qualidade, tinha também bons clubes e comércio razoável. O transporte por linhas de bonde eletrificado facilitava o acesso ao Bairro.
Por volta de 1928, a urbanização da Conde de Bonfim atingiu a Muda e a Usina. O censo de 1933 mostrou um aumento acentuado da população na área entre o Largo da Segunda-Feira e a Praça Saens Peña e a Rua Uruguai. Dos anos 30 em diante a Conde de Bonfim passou por processos de crescimento como todo o restante do Bairro.







A Rua Conde de Bonfim de ontem... A primeira foto mostra um desfile de colegiais na Rua Conde de Bonfim, numa foto do início do século, tirada do Instituto La-Fayette, Departamento Feminino, onde podem ser vistos alguns dos sobrados que caracterizavam a moradia daquela época.
As outra duas fotos mostram o palacete em que residiu Luís Alves de Lima e Silva - o Duque de Caxias, quando já era a sede do Club da Tijuca e quando abrigou o Instituto La-Fayette, Departamento Feminino. Este prédio desabou, no local foi construído o prédio onde funcionou a Loja de Departamentos Mesbla da Tijuca e atualmente funciona um Supermercado Sendas.
As três fotos foram copiadas do livro: História dos Bairros - Tijuca editado pela João Fortes Engenharia.






Do Largo da Segunda-Feira até a Praça Saens Pena




O Largo da Segunda-Feira fica no encontro das ruas: Haddock Lobo; Conde de Bonfim e São Francisco Xavier.
Nas fotos está sendo mostrado o início da Rua Conde de Bonfim. O Largo tem este nome não se sabe bem por que
razão, alguns dizem que é devido à feira que se realiza na segunda-feira, na Rua Aguiar, mas tudo indica que este nome
é anterior à feira e conta-se uma estória mais antiga e curiosa, que em 1792, no local apareceu, numa segunda-feira,
um homem assassinado e ali se colocou uma cruz que lá ficou até 1880 e o Largo passou a ser conhecido como o
Largo da Segunda-feira.

Vista da Rua Conde de Bonfim próximo ao prédio do
Supermercado Sendas.

Prédio onde funciona o Supermercado Sendas, no local
onde morou o Duque de Caxias, que na época era Rua do
Andaraí Pequeno número 10.











Vista da Rua Conde de Bonfim próximo ao
Tijuca Tênis Clube.

Vista da Rua Conde de Bonfim próximo da Rua Itacurussá
e Visconde de Cabo Frio.
Vistas de duas importantes Igrejas da Tijuca que se encontram neste trecho

Igreja dos Sagrados Corações.

Igreja Maronita de Nossa Senhora do Líbano.
A Igreja dos Sagrados Corações foi fundada em 31 de junho
de 1936 e foi dedicada à Ordem dos Corações de Jesus
e Maria, possui diversos trabalhos na comunidade, como
coral de casais, encontros para pessoas separadas e o
Centro Comunitário Padre Damião, que presta auxílio a
pessoas carentes e fica localizado na Rua Desembargador
Izidro. Logo acima da Igreja dos Sagrados Corações,
na Conde de Bonfim, fica localizada a Igreja Maronita,
de origem libanesa dedicada a Nossa Senhora do Líbano.










Vistas da Rua Uruguai, a primeira foto mostra a esquina com a Rua Conde de Bonfim, a segunda e terceira mostra o trecho
entre a Rua Conde de Bonfim e a Rua Homem de Melo e a quarta tirada no trecho final da rua, mostra o alto do Morro do
Sumaré onde se encontram as antenas de comunicação que se interligam com o prédio da Embratel no centro da cidade e
com outras Empresas de Telecomunicações e de Energia Elétrica.

Igreja de Nossa Senhora da Conceição localizada na Muda,
esta Igreja foi a Matriz do Andaraí Pequeno, até o início
do Século XX. Seu projeto arquitetônico é de Araújo Viana.

Vista da Rua Conde de Bonfim na região da Muda.


Vista da Favela do Borel, uma das maiores da Tijuca.

Vista da Rua Conde de Bonfim com a Favela do Borel.
O nome da favela teve origem na Fábrica de Fumos e Rapé de Borel&Cia, que estava localizava nesta região. A Favela
do Borel possui cerca de 35.000 habitantes em 7.000 casas. É uma das mais perigosas da cidade e vive em meio a tiroteios
de traficantes que lutam pelo controle do Morro, representando um perigo para todo o Bairro. É berço da Escola de Samba
Unidos da Tijuca, importante Escola de Samba da cidade. A Tijuca possui três Escolas de Samba: além da Unidos da
Tijuca, tem também a Acadêmicos do Salgueiro que tem sede na Rua Maxwell, mas que nasceu no Morro do Salgueiro e
Acadêmicos da Tijuca, que teve origem no Morro da Formiga que fica em frente ao Morro do Borel
.

Colégio São José




Os Irmãos Maristas chegaram ao Brasil em 1897 e se estabeleceram em Congonhas do Campo em Minas Gerais. O Colégio Marista São José do Rio de Janeiro é o mais antigo colégio de ensino médio da cidade, tendo sido fundado em 1852 com o nome de São Pedro de Alcântara. Em 1902, o Cardeal-Arcebispo do Rio, Dom Joaquim Arcoverde, determinou que a instituição passasse a ser administrado pelos Padres Maristas.
A estátua que se encontra na entrada da escola é do fundador da obra: São Marcelino José Bento Champagnat, que fundou em La Valle na França a Congregação dos Irmãozinhos de Maria, com a missão de educar utilizando a Pedagogia Marista. Esta obra se espalhou pelo mundo e é encontrada hoje em 78 países de todos os continentes.
O prédio em que funciona o Colégio na Rua Conde de Bonfim, que foi construído em 1928, possue excelentes instalações que abrigam mais de mil alunos em suas salas de aula, possui piscina semi-olímpica, campo de futebol, ginásio esportivo e sua área se estende pela Floresta da Tijuca. O Colégio funcionava também em um prédio localizado na Rua Barão de Mesquita, num prédio de 1932, que foi desativado no final da década de 1990, representando uma grande perda para a juventude tijucana, que teve reduzidas as chances de estudar num colégio de excelente qualidade.

Hospital da Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência

 O Hospital da Venerável Ordem Terceira da Penitência funcionou desde 1763, até o início do século XIX, no Largo da Carioca, com a reforma de Pereira Passos ele passou a funcionar na Rua Conde de Bonfim, onde está até hoje.


É um hospital de grande porte, com todas as especialidades médicas, que vem se desenvolvendo da região, inicialmente ocupou o suntuoso prédio de frente para a Rua Conde de Bonfim, depois foi ampliado ganhando um anexo, que aumentou consideravelmente sua capacidade. Neste hospital, durante o Estado Novo, o médico Pedro Ernesto, perseguido pelo regime veio a falecer.

















Vista da Rua José Higino.

Vista da Rua Bom Pastor.

 



O Conde de Bonfim

José Francisco de Mesquita

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

José Francisco de Mesquita, primeiro barão, visconde com grandeza, conde e marquês do Bonfim (Mariana, 11 de janeiro de 179011 de dezembro de 1873), foi um dos mais importantes nobres do seu tempo, tendo alcançando fortuna no comércio e sido grande benemérito de causas sociais. Morou na Tijuca, Rio de Janeiro. (
Filho de Francisco José de Mesquita e de Joana Francisca, casou-se com Francisca Freire de Andrade, neta do primeiro conde de Bobadela. Tiveram dois filhos: Jerônima Elisa de Mesquita, casada com o barão de Itacuruçá, e Jerônimo José de Mesquita, primeiro barão de Mesquita. Avô dos segundos barões de Mesquita, Jerônimo Roberto de Mesquita, e do Bonfim, José Jerônimo de Mesquita.
Recebeu o título de barão por decreto imperial em 18 de junho de 1841, o de visconde por decreto de 2 de dezembro de 1854, o de conde por decreto de 19 de dezembro de 1866 e o de marquês por decreto de 17 de julho de 1872. Era comendador da Imperial Ordem de Cristo e da Imperial Ordem do Cruzeiro, dignitário da Imperial Ordem da Rosa e cavaleiro da Legião de Honra.





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